Meio e Termo

10 10UTC Junho 10UTC 2009 por andrecabecao
Novo eu. Nova parte.
Mais de um ano sem poesia.
Idiossincrasia da palavra.
Energia que não se reparte.
Difícil visão.
Excessiva imaginação.
Esquisofrenia?
Não.
“Esquizofrenarte”!

Digerido

3 03UTC Março 03UTC 2008 por andrecabecao
Eu tô perdendo os excessos.
Eu tô ficando sem graça.
Morno, refém de um ego seleto.
E daí ?

Eu tô vendedo os excessos.
Abandonando a pirraça.
E com ela,
meus extremos incompletos.
E daí ?

Eu tô entregando os excessos.
A maturidade me caça.
E com fugas,
liberto meus protestos.
E daí ?

E nessa falha me vou…

Feito um bobo metido a profeta,
dono de verdades absurdas
oriundas de uma tranquilidade arrogante
há muito estável,
diria adulta. Diria ininterrupta.

Diria que nasceu a era de um novo tempo
aonde impera o prazer da conduta.
Cessaram os espaços para atitudes poéticas,
maestrante das guerras de penosas disputas.
Coisas importantes aconteceram na gruta.
Lanternas revelaram o caos das lutas.
E no reflexo decidi iluminar a caverna
com a sábia paz de quem só quer renascer.
Dessa forma ninguém mais surta.
É uma outra espécie de querer.
É um outro tipo de labuta.
Diria.

E nessa falta me vou…

Feito um adolescente cheio de energia
que acabara de enfraquecer a visão
em uma batalha que nem mesmo
sabia para quem serviria. Mas serve.
E vem se reproduzindo
com tudo o que sentiu e sente
a cada tentativa nula
que por vezes extravasa em terapêuticas teclas.
Tudo para iluminar o breu da gruta
sem desgastar o brilho das pedras
para não apagar a esperança dos faróis.
Uma vez que a visão agora é turva.
De olhar amarrado. Inseguro.
Cego de nós.

E nessa falta me vou…

Analisando as ondas que batem nas pedras.
O quanto são irregulares, brutas, de natureza incerta.
Águas intensas que volta e meia ainda atingem a gruta,
espalhando os redemoinhos mais importantes.
Marés passageiras são a bússola
dos inexperientes navegantes.
Aonde jaz o eloquente,
sobrevive o paciente.
Assim é a vida. Assim são as regras.
Assim são as dúvidas e seus restos.
Sobras submersas na vontade afogada
que me impulsiona ao adiante.

E nessa falta me vou…

Beirando a paz ranzinza e antipática.
Saudade dos Extremos. Saudade dos excessos.
Saudade das falácias.
Uma saudade que já não faz falta, é costumeira.
Porque definitivamente eu tô refém da nostalgia.
Mas esta é bem diferente.
Porque afinal eu fiquei seleto.
Eu fiquei sem graça.
Sem extremo, sem excesso.
Ainda bem.

O Quase, querendo atenção

18 18UTC Janeiro 18UTC 2008 por andrecabecao

Adoro aparecer, fazer o que, nasci assim, com máscaras variadas, desgovernadas, que visam entreter o não e o sim. Há quem as aprecie. Há quem faça piada. Há quem não ache nada em meu jardim. Há quem ame, há quem odeie, há quem apenas reclame por eu me expor assim. E por mais borrados que sejam tais rascunhos de pessoa, tento bancá-los com expressão no punho independente de como o rabisco ecoa. Emito sinais particulares de certo e errado a todo tempo, sem temer aquele que lê, seja nos momentos de grandeza em que abusei de tudo o que desejei ter, ou nos de extrema fraqueza em que passei por poucas e boas e continuei me expondo sem usar dublê.

Minha platéia nunca foi problema. Meu medo mesmo é cair em clichê. Como os fracos que escondem o emblema, se retiram da cena e deixam a honestidade que havia em si, morrer. Agem nos bastidores porque temem a opinião dos demais. Estes sim, são perigosos atores, carentes de valores morais. Estrelas passageiras do supérfluo medo do “vencer” ou “perder”. E para não ser escravo desse ego voraz é que eu os encaro, eu piso, eu falo. Raramente minto. Dificilmente calo. E quando vejo que falho volto atrás. Mas sem me desculpar nas entrelinhas como gente mesquinha faz. Para estes animadores eu lhes confesso que jogo, porque infelizmente eles jogam demais. Preferem blefar ao pôr as cartas na mesa, feito coringas de uma tristeza que ali se faz, sem transparecer. São talentosos profissionais, reconheço. Só deveriam aprender que apenas o perdão e as boas atitudes são dignas da paz que tanto desejam.

Eu venho de outra escola. Criado num cenário sem cortinas. Não preciso delas para me eleger enquanto lacrimejo o que não pôde ser. Talvez por elas serem obscuras para um sagitariano apaixonado, que adora se promover. Um cara quase desprovido de mistério, quase desinteressante, fácil e difícil de conviver. Depende daquilo que você quer ver, daquilo que você julga importante. O que existe em mim vem com bula, para que fique claro aos ignorantes meus momentos de glória e de vexame, de ódio e de ternura, de alegria e tédio. Por mais que a louca carência de dividir o palco me destrua, transformando-me num solitário farejador de aventura, um Peter Pan em busca de assédio.

E não se engane. Eu me importo muito com o cachê. Atrás de cada terno que visto há sempre uma postura de quem compra e quer vender. Pago para ver a reação do público perante minhas travessuras apresentadas em variadas facetas protegidas por armaduras boas e ruins. Ora convincentes. Ora tolas e inconvenientes. Nunca escondi meus demônios mesmo, quiçá os querubins. E é bom ter cuidado, não abandono nenhum dos dois. Só depende de como você quer ser conquistado, sabendo que será julgado depois. Afinal é difícil saber de imediato se lhe darei meu céu ou meu inferno, quem sabe até lhe dou os dois. Ambos estão abertos e a casa é confiável. Só tira o sapato antes de entrar. A faxina é constante e as chaves ficam comigo para regular a forma pela qual pretendes pisar. Afinal de contas um pouco de prevenção se faz preciso, já que o radar da curiosidade alheia me deixa alerta, com luz acesa para a temporada das flores que vão chegar ou, vai saber, dos granizos.

Portanto, estranho convidado, amigo ou inimigo. Você tem conhecimento suficiente das normas da casa para usá-lo em seu favor se for preciso. Assim como a sua função quando dentro dela. E pareça-lhe ou não superficial a maneira com que o anfitrião se comporta, não faz a menor diferença, não é com este tipo de opinião que ele se importa. As satisfações foram um presente para você saber como se comportar ao abrir a porta, que raramente fica trancada. Tal maneira de ser me acompanhará sempre, como necessidade fundamental de uma passageira estada, de forma honesta e transparente. Porque aprecio divulgar de cara limpa meu tudo, e meu nada. E a este tipo de jornada eu chamo vida. E vida não se pode esconder, muito menos deixar engasgada. E por amá-la e odiá-la inconstantemente, assumo-a gentilmente, guiando-a como sempre fiz, em águas frias e calmas, agitadas e quentes, explodindo-me de tanto viver e agradecer por ser um cara de altos e baixos, quase sempre querido, quase sempre amigo, quase sempre feliz.

Amor Por Meio Dia

16 16UTC Janeiro 16UTC 2008 por andrecabecao
Meia noite se despia,
na inocência ardente
de quem já sabia.

Meio dia se vestia.
E com palavras valentes,
se recolhia.

Nas lágrimas, as certezas comoventes
de que se deitara com quem não devia.
Na inocência ardente de quem já sabia.
E conseguindo aquilo que queria, ela se encolhia.
E com palavras valentes se despedia.

Tudo o que Carece Varal – Samba do bloco carnavalesco Fogo na Cueca

11 11UTC Janeiro 11UTC 2008 por andrecabecao

Fogo na peça indumentária
que protege a jumentalha
do boêmio folião.

Filhos da bebedeira,
que fazem das cinzas, quarta-feira
de pura celebração.

Fogo em tudo o que carece varal.
Fogo em tudo o que parece normal.
Fogo em forma de cueca
Deixa o sapo ver a perereca
Chega de esconder cartão postal.

Taca fogo na cueca que o verão vai ajudar
É melhor mover as pernas, impossível segurar. (Refrão)
Folia mais importante a gente sabe que não dá
É o bloco do Mirante botando a cueca pra girar
Gira de cá, gira de lá, de lá girou
Gira a cueca pra espantar nosso pudor.
Gira de cá, gira de lá, de lá girou
Gira a cueca pra ganhar o nosso amor.

Fogo aos amantes da cachaça,
soldados da ressaca em sal.
Unidos pela sintonia da alegria no carnaval.
Fogo em tudo o que carece varal.
Fogo em tudo o que parece normal
Fogo em toda forma de cueca
Deixa o sapo ver a perereca
Chega de esconder cartão postal.

Para além de onde o dedo aponta

20 20UTC Novembro 20UTC 2007 por andrecabecao
Julgar é ser capaz de discernir.
Não fazê-lo é negar a si.
Julgar sem dizer é omitir.
Omitir o dizer é calar-se ao saber.
É a fraqueza do dedo.
É o abandono do ser pelo medo.
Saber julgar é saber existir.
É saber, ao menos,
para aonde não ir.

# $%&*@#*! ?

3 03UTC Outubro 03UTC 2007 por andrecabecao
Por que
Faustão aos domingos
se o domingo é naturalmente pesado ?

Por que
Toquinho é Paulista
se lhe corre um Rio letrado ?

Por que
Galvão Bueno pergunta
se sempre discorda do Arnaldo ?

Por que
Viver de ideologia
se Cazuza viveu do “exagerado” ?

Por que
O mundo é redondo
se os cérebros são tão quadrados ?

Por que
Vinicius “falar de amor em Itapoã”
se viveu tardes de côco à sombra do Corcovado ?

Por que
Leis brasileiras são ordens
se os códigos revelam a desordem dos advogados ?

Por que
Lula é um presidente honesto
se seus “companheiros” foram partidos, comprados ?

Como
Marcelo Camelo enriqueceu
se ele nunca foi “assim, muito de ganhar…” ?

Como
Chorar miséria alheia através da arte
se toda forma de arte é um protesto particular ?

Como
Blogs femininos podem ser interessantes
se possuem o mesmo linguajar ?

Como
Intelectuais idealizam um mundo melhor
se seus protestos não saem do bar ?

Como
Conseguir um tantinho de paz
se a vida em banda larga não permite respirar ?

Como
O amor transformou-se em troca veloz
se ainda persiste o desejo do altar ?

Chá

26 26UTC Agosto 26UTC 2007 por andrecabecao
Pois é…
aqui separamo-nos.
O elo materno se rompeu.
Cá eu, sem teu cordão,
em estranhos oceanos,
vagando…
recordando valores tão teus.

Estranho pensar em você aqui.
Soa tão ingrato. Tão distante.
Tantas perdas e ganhos,
tantos amores irrelevantes,
para somente agora, firme e só,
dar-me conta de que és, e sempre serás,
a dádiva mais limpa, o habitat mais importante.

Não imaginas o quanto mudei.
O quanto o faminto aquietou.
Aprendeu que mergulhar em busca de vida,
guiada por uma pressa intensa, juvenil e descuidada,
é torturar-se em euforias vencidas,
por uma felicidade inventada.

Perdoe o excesso de egoísmos caros.
A louca procura por momentos raros.
Pois somente agora, o fantasma à solta percebeu,
que recebeu por toda a vida,
amor inigualável até o talo.
Sentimento que nunca lhe devolveu,
na proporção que mereceu.
Talvez este seja o ingrato preço,
de um caçula que vive do somente eu.
Perdoe meu excesso de egoísmos caros.
Minha eterna procura por momentos raros.

Perdoe-me.

Por renegá-la diversas vezes com silêncio
enquanto buscavas instantes de conversa.
Foram as ingênuas inquietações,
fruto da estúpida pressa,
excesso de trabalho, amigos,
aventuras das mais desvairadas proporções,
tudo para viver o ciclo do próprio umbigo.
Tudo para me entorpecer em falsas emoções.

Talvez essa busca tola e crua,
seja hoje meu pior castigo.
Carregar o fardo de ter pertencido
as futilidades de um mundo impaciente, inquieto,
desorientadamente sem sentido.
Me fazendo esquecer que surgi do teu ventre.
Atropelando bons momentos familiares,
dos quais hoje me vejo carente.
Tanto excesso de egoísmo caro.
Tanta procura por momento raro.

Perdoe-me.

Que o mundo corra no ritmo que vier.
Sabendo, porem, que o enfrento de pé, manso e devagar.
Meu templo é independente, não preciso de nenhuma fé para lutar.
É fato, jamais ficarei de joelhos novamente,
pondo-me entre os fracos a chorar.
Pois guardo em mim tua cantiga, amada mãe,
repleta de sábios conselhos.
Prometo a ti, perfeição singular,
realizar teu maior desejo.
De agora em diante,
família em primeiro lugar.

Mulheres, amigos e afins,
falo dos que não fazem parte do lar,
que se entupam de buscas incessantes,
e quando despencarem em desesperos
inquietantes com o universo a sua volta,
que passem lá em casa para nos visitar,
e deixem o gosto da alegria penetrar em suas portas.
Aposto que admirarão nosso reino e teu sereno semblante,
enquanto lhes servimos aquele delicioso chá,

para acalmar as revoltas e fazê-los compreender
que as pequenas e simples coisas da vida,
são as que justificam viver.

Por isso lhe sou grato por tudo.
Por tê-la em meus dias.
Bem vivo, diria. Solitário, talvez.
Pois nem tudo o que me ensinaras fora verdade.
Nem toda as verdades, penso, agora, que sei.
Sua pele, seu caráter, seu jeito doce,
seu abraço que me protegia,
sua paciência que me acalantava,
seu olhar que me engrandecia.
Sua aptidão pela arte e para arte.
Seu encanto. Sua essência.
Curvando-se sabiamente a tristes submissões,
apenas para gerar o bem maior,
sua mais sábia ciência.

Só queria dizer que estou levando comigo, mãe,
tudo o que vem de você.
Só queria dizer que tu me tornaras homem, mãe,
pronto para viver.
Conectado com aquilo que o mundo tem de mais belo.
Mesmo sabendo que perdemos nosso saudoso elo,
que de fato não será o mesmo quando eu desembarcar.
Certamente não sei nem aonde irei morar.
Mas sei, que jamais faltará tempo,
por onde quer que o seu caçula vá,
para tomarmos,
sempre,
nosso maravilhoso chá.

Eu. Te. Amo.

A Paz dos Pés

17 17UTC Agosto 17UTC 2007 por andrecabecao

Definitivamente luto só. Sozinho. E por querer estar. E por querer lutar. Por compreender que a revolucao, agora, passou a ser individual. A minha despertou e não existe forma de manifesto mais conveniente. Protejo meu campo e minha cria. Rezo pelos teus e pelos meus. Para se equilibrar em complexos vínculos, é preciso tragar as energias mais adversas, respeitando tudo aquilo que o limita.

Cigarra e Jô, jogavam…

7 07UTC Junho 07UTC 2007 por andrecabecao
Joaninha voa plena.
Ciente em calar a cigarra.
Trazendo beleza no emblema,
cria angustia no bicho, que cala.

Em seu mudo canto de perda,
manteve o sorriso na vala.
Escondeu-se com esmera destreza.
Reprimiu-se em sons sem batalha.

Com as negras manchas expostas.
Abusou do rubro destemida.
Perdeu-se em ares e rotas.
Deprimiu-se em inseticidas.

A cigarra sabia do mal.
De vingança, sequer alertou.
Manteve o orgulho em sal.
Vendo Joana sofrer a dor.

Às matas a trova voltou.
Berrando alto a morte em vida.
Em cantos livres resvalou,
uma alegria de cigarra sentida.