Digerido

Eu tô perdendo os excessos.
Eu tô ficando sem graça.
Morno, refém um de ego seleto.
E daí ?

Eu tô vendedo os excessos.
Abandonando a pirraça.
E com ela,
meus extremos incompletos.
E daí ?

Eu tô entregando os excessos.
maturidade me caça.
como fuga,
liberto meus protestos.
E daí ?

E nessa falha me vou…

Feito um bobo metido a profeta,
dono de verdades absurdas
oriundas de uma tranquilidade arrogante
há muito estável,
diria adulta. Diria ininterrupta.

Diria que nasceu a era de um novo tempo
aonde impera o prazer da conduta.
Cessaram espaços para atitudes poéticas,
maestrante das guerras de penosas disputas.
Coisas importantes aconteceram na gruta.
Lanternas revelaram o caos das lutas.
E no reflexo decidi iluminar a caverna
com a sábia paz de quem só quer renascer.
Dessa forma ninguém mais surta.
É uma outra espécie de querer.
É um outro tipo de labuta.
Diria.

E nessa falta me vou…

Feito um adolescente cheio de energia
que acabara de enfraquecer a visão
em uma batalha que nem mesmo
sabia para quem serviria. Mas serve.
E vem se reproduzindo
com tudo o que sentiu e sente
a cada tentativa nula
que por vezes extravasa em terapêuticas teclas.
Tudo para iluminar o breu da gruta
sem desgastar o brilho das pedras
para não ofuscar a esperança dos faróis.
Uma vez que a visão agora é turva.
De olhar amarrado. Inseguro.
Cego de nós.

E nessa falta me vou…

Analisando as ondas que batem nas pedras.
O quanto são irregulares, brutas, de natureza incerta.
Águas intensas que volta e meia ainda atingem a gruta,
espalhando os redemoinhos mais importantes.
Marés passageiras são a bússola
dos inexperientes navegantes.
Aonde jaz o eloquente,
sobrevive o paciente.
Assim é a vida. Assim são as regras.
Assim são as dúvidas e seus restos.
Sobras submersas na vontade afogada
que me impulsiona ao adiante.

E nessa falta me vou…

Beirando a paz ranzinza e antipática.
Saudade dos Extremos. Saudade dos excessos.
Saudade das falácias.
Uma saudade que já não faz falta, é costumeira.
Pois definitivamente eu tô refém da nostalgia.
Mas esta é bem diferente.
Porque afinal eu fiquei seleto.
Eu fiquei sem graça.
Sem extremo, sem excesso.
Ainda bem.

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13 Respostas to “Digerido”

  1. Esther Says:

    Com ou sem excessos, sem graça ou não, seus textos são sempre inspirados! 😉Bjo

  2. Anonymous Says:

    Não gosto do Cabeça sem graça. E daí que os extremos não são mt saudáveis ??? Beber não é saudável no entanto a gente bebe. Vc quer melhorar…Vc já é bom. Seu extremo é bom. Vc quer ser perfeito? Perfeição não existe, ainda vai ter milhares de defeitos… E quer saber, assim do jeito que é… É tão lindo, não precisa mudar…14/12

  3. Satine Says:

    Oi André !Adorei seu comentário no texto que falo do livro Infiel . Como tudo o que escrevo, como o que sou, o texto permite entrelinhas, parênteses e exceções à regra: a cada nova página descubro beldades e maldades nesse mundo que nos parece tão …. estranho … ! E resumidamente digo que aquela é uma opinião extremamente superficial, nada imparcial . Talvez, apenas uma observação do que EU considero errado, desumano … mas quem sou eu para julgar, não é mesmo ?Óbvio que o islã não se resume aos maus tratos à mulher, é lindo a forma como eles vêem e tratam suas famílias, o amor pelo país ainda que extremista, etc … enfim, como tudo no mundo: o bem e o mal residem ali … quem sabe em breve eu não faça um outro texto, dessa vez exaltando as qualidades dos nascidos sob os olhos de Alá ! 😉Quanto ao seu texto: “Diria que nasceu a era de um novo tempoaonde impera o prazer da conduta.”Para mim essa frase é perfeita e resume tudo, nada como o poder de escolha, as mudanças e a transição .Com, ou sem excessos, salve a conduta que cada um ESCOLHE. Ainda bem ?! hehehe🙂Beijocass

  4. Anonymous Says:

    Muito bom cabeça.Muito bom.Parabéns mesmo.Thiago

  5. Anonymous Says:

    Sabe o que eu acho? Que vc deveria juntar uma grana pra pagar uma edição limitada de seus melhores textos, e enviar para um mailing que inclua os principais editores do Brasil e alguns cronistas. Quem sabe alguém não se interessa por publicar seu material, e vc vai acabar tão rico e famoso quanto a mulher do H. Potter? Bjs !!! Stela

  6. Anonymous Says:

    Filho, quando criamos o nosso próprio Édem, até os anjos vem pousar em nossas flôres.Quem pode duvidar que as abelhas e os colibris que que bebem o néctar da flores, espalhando sementes, não sao anjos tentando salvar o planeta? As borboletas com asas multicores, que mais parecem flores voando,são também anjos diáfamos nos visitando. Os vagalumes, estrelas das matas, são anjos de luz nos alertando que a esperança é brilho que não morre. Salvemos o coração do planeta e o planeta dos nossos corações.Com certeza, dirfarçadamente, eles nos presenteiam em forma translúcidas, que só os poetas, e uma pequena platéia que vêm com os olhos da sensibilidade, podem sentir,sorrir,conversar com eles, e entender a mensagem.Você está escrevendo cada vez melhor.Continue, não pare, não se cala a voz de um poeta. Beijos de tua fã maior.Tua mãe. Jailda

  7. Nanda Mota Says:

    Cabeça, como disse sua mãe, vc tem escrito cada vez melhor. Acho que melhorar é fundamental, em tudo que fazemos. Ficar parado não dá certo, se até as pedras rolam, pq não nós? Só não fica sem graça e, principalmente, nunca se conforme em ser padrão. Pq vc com certeza não é… Beijo grande!!!

  8. Anonymous Says:

    Digerir seu “Digerido” é entrar de cheio no seu coração. Não se preocupe, são núvens passageiras, que todo poeta precisa, de vez em quando, cobrir o céu com estes flocos nostálgicos para escrever tão bem assim. Depois brilha o sol com o calor intenso e imperdível da juventude.Um banho de mar faz muito bem, sem núvens, sem flocos de algodão mas com uma gata com brilho de sol no olhar, contando estrelas antes que a noite chegue. Tua fã maior. tua mãe. Jailda

  9. ... Says:

    Você tem um dom.Magnífico!Mas você canta e toca bem como o “ARAGON” e sua banda? rsbeijos,Alessandra

  10. Estava Perdida no Mar Says:

    Obrigada pela visita, querido. é uma honra. volte sempre que quiser.beijos

  11. .Ná. Says:

    Meu, isso foi demais! Sério mesmo… Sem extremos, sem excessos… somos mais nada, sem graça, talvez sem vida?Beijos

  12. Maria Says:

    Uauuu..digo…tudo por aqui tem muita imagem…que lindo…

  13. Há, Há, Há Says:

    Já está na hora de voltar. Talento não é para se armazenar na alma.
    Sacode o peito e deixa os versos ao encontro do sol.

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