Archive for the ‘Contra Elas’ Category

Amor Por Meio Dia

16 de janeiro de 2008

A meia-noite se despia
Na inocência ardente de quem tanto queria

Ao meio-dia se vestia
E com palavras carentes se despedia

Das lágrimas a certeza comovente
de quem se deitara com quem não devia
Na inocência valente de quem no fundo sabia
E conseguindo aquilo que não merecia, se encolhia
E de palavras ausentes padecia.

Anúncios

Cigarra e Jô, jogavam…

7 de junho de 2007

Joaninha voa plena.
Ciente de calar a cigarra.
Trazendo beleza no emblema,
cria angustia no bicho, que cala.

Em seu mudo canto de perda,
manteve o sorriso na vala.
Escondeu-se com esmera destreza.
Reprimiu-se em sons sem batalha.

Com as negras manchas expostas.
Abusou do rubro destemida.
Perdeu-se em ares e rotas.
Deprimiu-se em inseticidas.

A cigarra sabia do mal.
De vingança, sequer alertou.
Manteve o orgulho em sal.
Vendo Joana sofrer a dor.

Às matas a trova voltou.
Berrando alto a morte em vida.
Em cantos livres resvalou,
lágrimas de cigarra sentida.

Peregrinas Catalépticas

27 de abril de 2007
Por medo do tempo, pela carência ou solidão,
doam-se a qualquer palhaço capaz de ouvi-las com atenção.
Esquecem que o futuro, incerto como o perdão
,
quando ignorado é aliado amargo de um resultado vão.
E os erros obscuros causados por inseguranças claras,
rebelam-se em arrependimentos homeopáticos que não amenizam.
E os frágeis ventres das tristes falhas,
alimentam-se de tudo o que não foi vivido.
Talvez por terem fugido da dúvida entre o sim e o não.
Talvez por terem esquecido que o jogo do poder nasceu parido.
E em seus desorientados vulcões… por apelos aquecidos,
brotam novas erupções em berros quase sempre ausentes,
acalmados em um sexo ardente, sem valor, sem amor, sem sentido.
Consolam-se em colchões moles, flexíveis e maleáveis,
lutando para inibir um tempo que as assola,
que de abandonado não se deixou esquecido.
É fardo irrecuperável. Imutável. Irreversível.
Não permite choro nem vela… somente a pá.
Para tapar cada milímetro de ar,
sufocando a vida que pelo medo se rendeu.
Para tapar e cavar…
Um interior que não se resolveu.
Uma ausência que não se desprendeu.
Um mal que não se dissolveu.
Para tapar e cavar.

Há Olhos Nus

18 de março de 2007

Poeira astuta que me quer cegar.
Permita-me mais goles sujos.
Vomitá-la para não engasgar,
todo o pranto preso mudo.

Ciscos doentes que me aborrecem,
esfregando-me a visão do impuro.
Tão triste foi me enganar.
Tão forte vê-la sem rumo.

Coça naquele que aborrece.
Surra que não se esquece.
Colírio que não se entende.

Cego os julgos com miopia,
nas retinas da hipocrisia,
para suportá-la eternamente.

Enzima

10 de março de 2007
Voe, voe alto. Voe muito, muito alto.
Extrapole até onde achar que deve.
Vá com sua inclinação às vezes pra lá de acentuada,
medindo forças erradas, feito criança mimada teimando greve.
Até encontrares teu topo, passarinha, diga-me o que vê lá do alto.
Use sua aerodinâmica volátil para entender
se foi delize ou erro de cálculo.
Veja se por detrás das colinas há a possibilidade
de um ninho mais aconchegante, que suporte ambiciosos saltos.
E não se acomode até entender se ficamos pequenos lá de cima.
Depois, batiza-te com amor e gasolina
para quando retornares suportar nosso humor,
pois será este a nova enzima.
Voe sabendo que pairar nos ares do esquecimento
é o mesmo que apostar em maus passatempos,
que oferecer-se como presa preferida das perigosas carabinas,
alvo predileto dos maliciosos caçadores de rapina.
Por isso imploro que desças desse penhasco cinzento e pouse.
Nem que seja para dizer se devo ou não
aparar minhas asas pequenas e entender de vez seus problemas
e toda essa razão para tantos longos vôos
sempre promovidos por asas cheias de envergaduras.
Depois podes decolar sem compostura e voar para o longe.
Mas se decidir por ficar, então que pouse,
adormecendo todos os seus problemas
em minhas sensíveis penas consoantes,
daí sim, descanse teu aventurado bico e repouse.
Mas enquanto isso, passarinha, também migrarei de galho em galho,
passando o caralho em novas aves peregrinas.
Seria esta a minha predestinada sina? Se for, então por favor…
preciso aprender a voar como você, preciso de enzimas.

Canastra Real

9 de fevereiro de 2007

De que adianta ser o Ás, bancar o Espadas,
vender seu Ouro pra sentir-se o Rei,
expor um Naipe em cada passada,
se elas que escolhem o Curinga da vez?

As Rainhas não querem ficar nas Copas.
Modernas, desejam novas Batidas.
São Damas de Canastra Suja
com Cartadas bem servidas.
São outros tempos, novas disputas,
uma lição a cada partida.

Na mesa, pedem outra Rodada.
Inseguras de si variam em Paus.
Com blefes encaram novas jogadas,
com a cara lavada de profissional.

Reconhecem-se em cada Sequência.
Não sabem ganhar com Coração.
Nas cavadas querem a sorte,
e o Buraco, evolução.

Ou você Blefa e banca o Morto,
nesse jogo de precisão.
Ou vai terminar vendido.
Vai implorar outra Mão.

Reflexo Condicionado

31 de janeiro de 2007
Meu corpo criou casca.
Sólido na dor.
Escravo de inúteis mágoas,
nascidas de verdades sem pudor.
Meu corpo é casca. Pura, mas sem inocência.
Preso nos detalhes de uma vaidade surda, muda e violenta.
Se a vejo pelo sombrio, perdão, peço clemência,
mas meu corpo agora é casca,
e através dela, somente dela se alimenta.
Engoliu a seco tudo o que cabia.
Hoje a sede é de caber.
Foi imaturo achar que poderia ser
teu num dia, e noutro parecer.
Da saudade ingênua sobrou a casca,
que me protege do teu mundo.
Desejo, inesquecível moça,
que encontre a paz em seu novo rumo.
Viva você.

Baixo Ego

2 de janeiro de 2007
Aquela moça mexe comigo
como um anjo corrosivo.
Carente de si, me dá castigo.Aquela moça mexe comigo,
feito vaidade bruta.
Não pára de jogar.
É tudo busca, é tudo busca.

Aquela moça mexe comigo,
com malícia que a difere.
Brinda com tudo o que sinto,
faz que não fere,
mas fere.

Aquela moça mexe comigo,
sustentando um baixo ego.
Não diz que sim, nem não.
Pensa que estou cego

Cego pela moça,
que não merece meu pensar.
Cego pela moça,
que não enxerga a quem se dar.
Cego talvez esteja,
por não ver quem me deseja.
Só vejo a moça de abrigo,
aquela moça que mexe comigo.

Em parceria com Bartoli:
http://www.bartoletrado.blogspot.com