Archive for the ‘Protestos’ Category

Para além de onde o dedo aponta

20 de novembro de 2007
Julgar é ser capaz de discernir.
Não fazê-lo é negar a si.
Julgar sem dizer é omitir.
Omitir o dizer é calar-se ao saber.
É a fraqueza do dedo.
É o abandono do ser pelo medo.
Saber julgar é saber existir.
É saber, ao menos,
 aonde não ir.
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In verso

3 de junho de 2007
Seja um só.
Mas seja você.
Seja tudo.
Não seja, sem ser.
Seja apenas.
É.
Seja apenas você.

Ou então

Você apenas seja.
É.
Apenas seja.
Ser sem, seja não.
Tudo seja.
Você seja, mas
só um seja você.

Torrado e Moído

12 de abril de 2007

Num misto de orgulho e desprezo vou suportando a humanidade
e todo o seu semblante cínico de amargar,
toda a sua covardia barata que cansa a alma.
E o café que ninguém traz ? Com açúcar, por favor…
Gentinha mais sem sal, sem esperança, povinho mais sem cor,
que suporta e ignora tudo numa autopiedade de dar dó.
Será que é pedir muito ou só eu busco a liberdade?
Ninguém tenta se consertar, mexer aqui ou acolá.
Ninguém se enfrenta, se fala, discute a vida e suas tendências sociais.
Cadê o café que ninguém traz ?

Nunca vi tantas felicidades cansadas como ultimamente,
entregues ao medo das próprias falhas, das inseguranças comuns.
Ajoelham-se por migalhas que preenchem uma vidinha vazia.
Vazia da paz que resolveu ir de encontro ao conformismo
numa serenidade que só se alcança em tristes fugas.
Gente sem amor, sem esperança, sem luta, sem fé, sem luz.
Alguém sabe do meu café ? Aonde foi que eu pus…

Bom mesmo seria poder andar sem pensar em nada.
Sentindo no vento o prazer de se saber capaz.
De poder caminhar com a cabeça erguida,
para que aquele que conviva comigo possa fixar meu nome.
Apenas fixá-lo, com ou sem prazer no tom,
mas nunca, nunca me taxar de morno,
como a porcaria deste café.

Flora

20 de janeiro de 2007

Viva o intenso.
Viva a busca.
Sinta o aumento de vazio no peito.

Viva a perda.
Viva o ganho.
Sinta o gozo e seus defeitos.

E nesse vai e vem constante,
todo amor vira laxante.
Desce rápido,
pelo cu dos incessantes.

Reconstrução

2 de janeiro de 2007
A única forma de um homem desapaixonar-se
é atingindo o fundo de seu próprio poço.
Do contrário, nem o próprio tempo, nem o próprio poço.
Ache o seu fundo e liberte-se!
Você verá que as verdades eram meias
e que o amor não se constrói com palavras.

Mundano

2 de janeiro de 2007
Por tudo o que já vivi.
Pelo tudo que ainda resta.
Preciso compreender
esse conflito que me testa.

É difícil seguir assim…
mudar o mundo e não mudar a mim.
Sentir o gosto da vontade de agir,
com o do desgosto a coibir.

Talvez seja melhor marchar.
Rastejando-me aos clichês do bom senso.
Programar vindouro viver,
obediente ao universo de “exemplos”.

Se todos fossem como sou
e entendessem arrogante rigor…
Que seja egoísmo esse desejo interior,
pouco importa.
Quero o comportamento dos mortais
transando com os meus ideais.