Archive for the ‘Reflexões’ Category

Digerido

3 de março de 2008
Eu tô perdendo os excessos.
Eu tô ficando sem graça.
Morno, refém um de ego seleto.
E daí ?

Eu tô vendedo os excessos.
Abandonando a pirraça.
E com ela,
meus extremos incompletos.
E daí ?

Eu tô entregando os excessos.
maturidade me caça.
como fuga,
liberto meus protestos.
E daí ?

E nessa falha me vou…

Feito um bobo metido a profeta,
dono de verdades absurdas
oriundas de uma tranquilidade arrogante
há muito estável,
diria adulta. Diria ininterrupta.

Diria que nasceu a era de um novo tempo
aonde impera o prazer da conduta.
Cessaram espaços para atitudes poéticas,
maestrante das guerras de penosas disputas.
Coisas importantes aconteceram na gruta.
Lanternas revelaram o caos das lutas.
E no reflexo decidi iluminar a caverna
com a sábia paz de quem só quer renascer.
Dessa forma ninguém mais surta.
É uma outra espécie de querer.
É um outro tipo de labuta.
Diria.

E nessa falta me vou…

Feito um adolescente cheio de energia
que acabara de enfraquecer a visão
em uma batalha que nem mesmo
sabia para quem serviria. Mas serve.
E vem se reproduzindo
com tudo o que sentiu e sente
a cada tentativa nula
que por vezes extravasa em terapêuticas teclas.
Tudo para iluminar o breu da gruta
sem desgastar o brilho das pedras
para não ofuscar a esperança dos faróis.
Uma vez que a visão agora é turva.
De olhar amarrado. Inseguro.
Cego de nós.

E nessa falta me vou…

Analisando as ondas que batem nas pedras.
O quanto são irregulares, brutas, de natureza incerta.
Águas intensas que volta e meia ainda atingem a gruta,
espalhando os redemoinhos mais importantes.
Marés passageiras são a bússola
dos inexperientes navegantes.
Aonde jaz o eloquente,
sobrevive o paciente.
Assim é a vida. Assim são as regras.
Assim são as dúvidas e seus restos.
Sobras submersas na vontade afogada
que me impulsiona ao adiante.

E nessa falta me vou…

Beirando a paz ranzinza e antipática.
Saudade dos Extremos. Saudade dos excessos.
Saudade das falácias.
Uma saudade que já não faz falta, é costumeira.
Pois definitivamente eu tô refém da nostalgia.
Mas esta é bem diferente.
Porque afinal eu fiquei seleto.
Eu fiquei sem graça.
Sem extremo, sem excesso.
Ainda bem.

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O Quase, querendo atenção

18 de janeiro de 2008

Adoro aparecer, fazer o quê? Nasci assim, com máscaras variadas, desgovernadas, que visam a entreter o não e o sim. Há quem as aprecie. Há quem faça piada. Há quem nada veja em meu jardim. Há quem ame, há quem odeie e até quem reclame por expor-me assim. E por mais borrados os tais rascunhos de pessoa, banco o esboço com expressão no punho, independente de como o rabisco ecoa. Emito meu certo errado sem temer aquele que lê, seja nos momentos de grandeza em que abusei do que não pude ter, ou nos de extrema fraqueza em que passei por “boas” sem usar dublê.

Minha platéia? Nunca foi problema. Medo maior é cair em clichê, como os fracos que escondem seus dilemas manipulando as cenas… deixando toda a honestidade que havia em si, morrer. Agem nos bastidores por temerem a opinião dos demais. Estes, sim, são perigosos atores, carentes de valores emocionais. Estrelas passageiras do supérfluo medo do “vencer” ou “perder”. E para não ser escravo desse ego sagaz eu os encaro, eu piso, eu falo. Dificilmente minto. Raramente calo. E quando vejo que falho corro atrás. Mas sem me desculpar por entrelinhas como gente mesquinha faz. Para tais animadores lhes confesso que jogo, porque infelizmente jogam demais. Preferem blefar ao pôr as cartas na mesa, feito coringas de uma tristeza voraz, que não se deixa transparecer.  Geniais profissionais, reconheço. Só deveriam aprender que apenas o perdão e as boas atitudes são dignas da paz que tanto almejam.

Venho de outra escola, criado num cenário sem cortinas. Não careço delas para me proteger enquanto lacrimejo o que não pôde ser. Panos rubros sempre foram peçonhentos demais para esconder um sagitariano apaixonado, que adora se promover. Um cara quase desprovido de mistério, quase desinteressante, tão difícil quanto fácil de conviver. Depende daquilo que você planta em meu instante, daquilo que você deseja colher, porque o que existe em mim vem com bula, para que fique claro aos mais ignorantes meus momentos de glória e de vexame, de ódio e de ternura, de alegria e de tédio, mesmo que essa louca carência de dividir o palco me destrua, transformando-me num solitário farejador de aventura, um Peter Pan em busca de assédio.

E não se engane: Eu me importo muito com o cachê. Por trás de cada terno que visto há uma postura de quem compra querendo vender. Pago para ver a reação do público perante minhas travessuras apresentadas em facetas duras, protegidas por armaduras boas e ruins. Ora convincentes. Ora tolas e inconvenientes. Nunca escondi meus demônios mesmo, quiçá os querubins. E é bom certo cuidado, não abandono nenhum dos dois. Depende de como você se quer adorado sabendo que será julgado depois. Afinal é difícil saber de imediato se lhe darei meu céu ou meu inferno, quem sabe os dois? Ambos estão abertos e a casa é confiável. Só tira o sapato antes de entrar. A faxina é constante e as chaves ficam comigo para regular a forma pela qual pretendes pisar. Afinal de contas, um pouco de prevenção se faz preciso, já que o radar da curiosidade alheia me deixa atordoado, a espera das flores que devem chegar, ou, vai saber, dos granizos.

Portanto, caro convidado, amigo ou inimigo, tens conhecimento suficiente das normas da casa e deve utilizá-las sempre que preciso, assim como a sua função quando dentro dela. E pareça-lhe ou não superficial a forma com que o anfitrião se comporta, não fará tanta diferença… não é por sua opinião que ele se molda. As satisfações foram um convite para te preservares ao abrir a porta, que raramente fica trancada. É a pretensa maneira de um ser que me acompanhará sempre, como necessidade fundamental de uma passageira estada, de forma concreta e transparente, porque aprecio divulgar de cara limpa meu tudo e meu nada. E a este tipo de jornada eu chamo vida. E vida não se pode esconder. Antes tê-la polêmica do que engasgada. E por amá-la e odiá-la incessantemente assumo-a plenamente, guiando-a como sempre fiz, através das águas frias e calmas, agitadas e quentes, que movimentam ondas de marés pouco inocentes, revelando um ser de altos e baixos, quase sempre querido, quase sempre amigo… quase sempre feliz.

# $%&*@#*! ?

3 de outubro de 2007
Por que
Faustão aos domingos
se o domingo é naturalmente pesado ?
 

Por que
Toquinho é Paulista
se lhe corre um Rio letrado ?

Por que
Galvão Bueno pergunta
se sempre discorda do Arnaldo ?

Por que
Vivermos de ideologia
se Cazuza viveu do “exagerado” ?

Por que
O mundo é redondo
se os cérebros são tão quadrados ?

Por que
Vinicius falou de amor em Itapoã
se viveu tardes de côco à sombra do Corcovado ?

Por que
Leis brasileiras são ordens
se os códigos revelam a desordem dos advogados ?

Por que
Lula é um presidente honesto
se seus “companheiros” formam partidos comprados ?

Como
Marcelo Camelo enriqueceu
se ele nunca foi “assim, muito de ganhar…” ?

Como
Chorar miséria alheia através da arte
se toda forma de arte é um protesto particular ?

Como
Blogs femininos podem ser interessantes
se possuem o mesmo linguajar ?

Como
Intelectuais idealizam um mundo melhor
se seus protestos não saem do bar ?

Como
Conseguir um tantinho de paz
se a vida em banda larga não permite respirar ?

Como
O amor transformou-se em troca veloz
se ainda persiste o desejo do altar ?

Chá

26 de agosto de 2007

Pois é… aqui separamo-nos. O elo materno se rompeu. 
Cá eu, sem teu cordão, em estranhos oceanos, 
vagando… recordando valores teus.
Estranho pensar em você aqui.
 Soa tão ingrato. Tão distante. 
Tantas perdas e ganhos, tantos amores irrelevantes, 
para somente agora, firme e só, 
dar-me conta de que és, e sempre serás, 
a dádiva mais limpa, o habitat mais importante. 
Não imaginas o quanto mudei. 
O quanto o faminto aquietou. 
Aprendeu que mergulhar em busca de vida, 
guiada por pressas densas, juvenis e desequilibradas, 
é torturar-se em euforias vencidas por uma felicidade inventada.
Perdoe o excesso de egoísmos caros. A louca procura por momentos raros. 
Pois somente agora, teu fantasma à solta percebeu, 
que recebeu por toda a vida, amor inigualável até o talo. 
Sentimento que nunca lhe devolveu, na proporção que mereceu. 
Talvez este seja o ingrato preço de um caçula que vive do “somente eu”. 
Perdoe o excesso de egoísmos caros. A eterna procura por momentos raros. 
Perdoe-me.
Por renegá-la diversas vezes com silêncio enquanto buscavas instantes de conversa.
 Foram às ingênuas inquietações, fruto da estúpida pressa, 
excesso de trabalho, amigos, aventuras das mais desvairadas proporções, 
tudo pelo ciclo do próprio umbigo, tudo para me entorpecer de falsas emoções.
Talvez esta busca tola e crua, seja hoje meu pior castigo. 
Carregar o fardo de ter pertencido as futilidades 
de um mundo perdido, inquieto, carente de sentido, 
fazendo-me esquecer que surgi do teu ventre, 
atropelando sublimes momentos familiares, 
dos quais, hoje, me vejo carente. 
Tanto excesso de egoísmo caro. 
Tanta procura por momento raro.
Perdoe-me. Que o mundo corra no ritmo que vier. 
E que ninguém nos socorra. Vou enfrentá-lo de pé, manso e devagar. 
Meu templo é independente, não careço mas de fé para lutar. 
É fato, jamais ficarei de joelhos novamente, pondo-me entre os fracos a chorar. 
Pois guardo em mim tua cantiga, amada mãe, repleta de sábios conselhos. 
Prometo a ti, perfeição singular, realizar teu maior anseio. 
De agora em diante, família em primeiro lugar.
Mulheres, amigos e afins, falo dos que não fazem parte do lar, 
que se entupam de buscas incessantes, 
e quando despencarem em desesperos inquietantes com o ritmo do universo a sua volta, 
que passem lá em casa para nos visitar e sintam os anjos da alegria penetrarem em suas portas. 
Aposto que admirarão nosso reino e teu sereno semblante, 
enquanto lhes servimos aquele delicioso chá,
para acalmá-los das revoltas internas e fazê-los compreender 
que as pequenas e simples coisas da vida, são as que justificam o viver. 
Por isso lhe sou grato por tudo. 
Por tê-la em meus dias. 
Bem vivo, diria. Solitário, talvez. 
Pois nem tudo o que me ensinaras fora verdade. Nem todas as verdades suportei. 
Sua pele, seu caráter, seu jeito doce, seu abraço que me protegia, 
sua paciência que me acalantava, seu olhar que me engrandecia. 
Sua aptidão pela arte e para arte. Seu encanto. Sua essência. 
Curvando-se sabiamente a tristes submissões, 
apenas para gerar o bem maior, sua santa ciência.
Só queria dizer que estou levando comigo, mãe, tudo o que vem de você. 
Só queria dizer que tu me tornaras homem, mãe, pronto para viver. 
Conectado com aquilo que o mundo tem de mais belo. 
Mesmo sabendo que perdemos nosso saudoso elo, 
que de fato não será o mesmo quando eu desembarcar. 
Certamente não sei em que teto irei repousar. 
Mas garanto, que jamais faltará tempo, 
por onde quer que seu caçula vá, 
para gozarmos, sempre, do nosso maravilhoso chá.
 

Caráter

6 de fevereiro de 2007

Tenha caráter, rapaz.
Não meta o olho grande num amor maior ainda.
Deixa fluir em paz, a paz que nasceu pra toda a vida.
Ao menos você teve provas de que há sentido,
que existem motivos pra continuar.
Então se erga, rapaz, esqueça e prossiga.

Jogue a armadura fora e entenda que ninguém teve culpa.
Arrume a casa e procure outra tenda, ou uma outra maluca.
Mas por favor, tenha hombridade e respeito aos bons.
Não volte a interferir com sujas ambições
no amor perfeito, cravado no peito de dois foliões.

Perde-se aqui, ganha- se lá. Espalhe o bem por toda a vida.
Não importa o seu gostar, saiba lidar com a despedida.
Seu momento vai chegar e chegará outra atrevida.
Todo tormento há de passar, cê vai ver…
seja no carnaval ou na avenida.

De que adianta o seu egoísmo, a sua vontade, a sua saudade,
diante da complexidade dos que herdaram a eternidade?
Portanto, deixe o casal à vontade.
Deseje o melhor pra ela, e que ela viva pra ele.
Deseje o melhor pra ele, e que ele viva por ela.
Mas por favor, viva! Sobreviva… saia dessa novela.

Tem que ser mais, rapaz. Certamente você é maior ainda.
Leve esse aprendizado voraz. Esforce-se que o bem predomina.
Não interfira no que não era pra ser, não é você, não combina.
Você está muito acima do que se espera.
Apenas cuidado com o caráter, rapaz,
jogue as mágoas pela janela e, por favor, não volte atrás.
O que é seu está guardado. Ninguém pega.
Basta ter caráter, rapaz,
o caráter dele por ela.

Pecado Capital

3 de fevereiro de 2007

A corporação me chama.
Não sei se fico, se parto ou deito na cama.
Alguma voz emana,
fico perdido num vácuo de opiniões levianas.

Minha mente, de insana,
transita em parafuso.
Me largo, não penso. O tenso ficou mudo.
Estouraram minha bolha de Salvo Conduto.
Tem um tempo pressionando o que já era curto.

Há um chamado lá fora de grande tormento
Há uma louca proposta correndo cá dentro.
Não sei se fico, se sento, se paro no tempo.
Quero a fórmula do pressentimento.

Diferente do que vivi até agora,
existe um mundo de grandezas lá fora.
Se vender-me por essa matéria,
morre o sonho da Europa velha.

A oferta é sincera. A rainha me espera.
E o reino daqui não é nada unido.
Não sei se vou, não sei se fico.
É partir na tentação do acaso
ou cair de um precipício a longo prazo?

Agora voz digo, com paz sem juízo,
Vou porque quero.
Vou porque posso.
Vou porque preciso.

Negligência Emocional

19 de janeiro de 2007

Saudade da intensa coragem de amar.
De entregar meia vida em troca
de tudo aquilo que não cabe cobrar.

Não há esforço. É parte.
E através dessa arte vejo as pessoas como são.
Cada uma de suas faces.

Não sou mais a criança que todos adoram,
mas adoraria recuperar valiosa inocência.
Desta forma não me devoro,
nem a outro amor ignoro
por medo das conseqüências.

Universo inaceitável

2 de janeiro de 2007

 

Aquela moça  me deixou.
Sem pena, sem eira, sem beira,
sem chão, sem colchão… numa frieza verdadeira.
Partiu magoada numa maldita quinta-feira,
sem amor, sem amizade… sem falsas maneiras.

Degradei-me em segundos.
E na insegurança de um perdido vagabundo
ousei compreender as engrenagens do mundo.
Conheci santas, ou putas? Rodadas, ou enxutas?
Não sei. Cansei. Caguei.
Querer um amor inerrante é uma busca tão inocente quanto bruta.

Estação Destino

2 de janeiro de 2007

Olho em volta de mim e percebo que não sou o mesmo.
Meu mundo gira, gira…
e não sai do lugar de onde veio.
Quando penso que tenho uma vida
reduzida pela idade que já foi desperdiçada,
recomeço uma jovem partida,
onde o destino é a chegada.
Daí é que percebo que a esperança perdura
quando a alma compreende cada caminhar.
E aceita, com nostálgico respeito,
que o tempo não pode parar.

Trocadilhos de culpa

2 de janeiro de 2007
Desculpa, culpa.Prefiro me deitar em outro abrigo.
Já lamentei perdas maiores em ombros amigos.
Sossega… culpa. A desculpa é cega de sentido.
Culpa,
Sabes que  não me rendo ao perdão.
Mesmo que morra tudo em mim.
É orgulho sem fim,
 banhado a solidão.
Desculpa,
 a vida é assim

.